A fábrica da Alpargatas, empresa que produz as sandálias havaianas, localizada em Campina Grande, distante apenas 07 km de Lagoa Seca, está sendo investigada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) por casos de infecção pelo novo Coronavírus entre trabalhadores. 

Conforme relatos de funcionários já divulgados pela imprensa, muitos trabalhadores adoeceram recentemente e testaram positivo para a Ccovid-19. A fábrica da Alpargatas tem 6 mil funcionários, produz chinelos, sandálias e espadrilles. 

O Procurador do Trabalho, Marcos Antonio Ferreira Almeida informou que o MPT recebeu denúncias sobre o adoecimento de funcionários na Alpargatas e já notificou a fábrica para prestar esclarecimentos. 

Segundo o procurador, durante a pandemia do novo Coronavírus, já recebeu mais de 600 denúncias de violações trabalhistas somente sobre a Covid-19. O órgão informa que há um grande número de investigações na Paraíba, que aparece em terceiro na lista de estados brasileiros com maior número de inquéritos civis instaurados.

Trabalhadores contaminam familiares, diz pesquisadora 

A coordenadora dos movimentos sociais de campo na Paraíba, Dilei Schiochet, afirmou que vem observando um número crescente de trabalhadores rurais doentes com Covid-19, no município de Lagoa Seca, Agreste da Paraíba. “Eles são pais de funcionários da Alpargatas. A juventude também está acometida pela doença. Em Lagoa Seca, todos os sítios têm casos de pessoas com o novo Coronavírus, e fomos buscar a causa: são filhos de pequenos agricultores e eles trabalham na Alpargatas. São 30 trabalhadores com sintomas, imagine os assintomáticos. No diálogo com movimentos sociais, discutimos que é necessário fazer exames em todos os trabalhadores da fábrica Alpargatas, paralisar a produção e limpar o local", afirma.

Segundo Schiochet, as famílias dependem dos empregos na fábrica e os trabalhadores aceitam o risco de contaminação. "Pessoas temem perder o emprego e se sujeitam a trabalhar doentes. A forma de trabalho é em cadeia produtiva, e precisa do distanciamento entre eles, pois desse jeito um vai contaminando o outro, e assim vai, sem a fábrica tomar providências sanitárias", critica.

Da redação, com UOL

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Maria José marçari - 29/05/2020 17h06
Isso será uma catástrofe.A ordem é fica em casa.Ninguem vai perder serviço não. Se necessário se afaste. O que prevalece é a saúde e nessas horas somos todos por um.